quarta-feira, outubro 18, 2006

A questão da ética...

Ontem demos na aula que a ética não são regras pré-determinadas, mas sim um conjunto de ideias orientadoras. Ou seja, enquanto que a moral nos diz o que devemos ou não fazer, a ética permite que interroguemos essas mesmas ideias de certo/errado, bem/mal, pondo em causa e confrontando diferentes perspectivas. Ao optar por um determinado estilo de vida, justificando as minhas opções, estou a orientar-me por princípios éticos.
E porque falamos nós de ética? Porque, devido ao seu papel no desenvolvimento pessoal e social do indivíduo, é importante que os licenciados em Ciências da Educação saibam trabalhar e construir projectos que tenham em conta esta perspectiva da ética e tudo o que ela envolve.
De facto, como Henri Atlan afirma, a ética revela-se logo a um primeiro nível, universal, mais fisiológico. Ou seja, a procura do prazer e a fuga à dor. Já um segundo nível direcciona-se mais para quando procuramos pensar e fazer experiências sobre as nossas reacções físicas/corporais. Ou seja, deslocamos as sensações de prazer/dor no tempo e no espaço. Um terceiro nível caracteriza-se pela tomada de consciência das necessidades dos outros, do prazer e dor dos outros. (Pelo menos, foi isto que eu percebi da aula)
O debate que a ética promove permite debater tábus e lutar contra o individualismo actualmente presente na nossa sociedade. Assim, como poderemos nós perspectivar a intervenção educativa ética e promotora/desencadeadora de desenvolvimento pessoal e social? Enquanto mediadores da intervenção educativa cabe-nos a nós promover o debate, de forma a que as pessoas sejam capazes de assumir posições, não criticando os outros, mas sim percebendo, compreendendo a sua posição, as justificações que nos são dadas para determinados modos de vida. Este debate promove o desenvolvimento pessoal e social, na medida em que através de uma participação regular, os indivíduos sentem-se actores na construção de um raciocínio.
Mas será que a ética é universal? Discutimos muito isto na aula... Se a ética é um conjunto de ideias reguladoras, podemos afirmar que somos contra as violações, mas quando vemos nas notícias constantes casos de violação em África, será que podemos afirmar "oh, mas é em áfrica"? De facto, os princípios éticos pretendem ser universais, a questão da prática é que varia. Não quer isto dizer que a ética é relativa ou subjectiva, como afirma Peter Singer (2000), pois podemos muitas vezes não concordar com determinada ideia, mas fazemos parte da sociedade que a desenvolve e a põe em prática. Portanto, o importante é que a ética nos dá uma ideia do que podemos fazer, enquanto que a moral nos limita os caminhos a percorrer. Parece confuso, principalmente para passar para escrito, mas até faz sentido.
Portanto, ao construimos projectos de intervenção temos de ter em conta todos estes aspectos. Temos de conhecer a realidade, os sujeitos, procurar os seus interesses, actuar não só a nível dos sujeitos mas também do mundo que os rodeia, tentar agir a um nível mais geral, de forma a que o nosso projecto tenha algum efeito, mude alguma coisa e não seja apenas mais um programa em que os indivíduos participam e depois esquecem. Como o exemplo da reciclagem que a professora Isabel Menezes nos deu na reunião... Podemos estar nas aulas a explicar a reciclagem e a ensinar aos alunos as atitudes mais correctas para o ambiente, mas depois eles chegam ao bar e ninguém faz reciclagem. Dentro da própria escola, aquilo que lhes dizem ser o melhor não é cumprido.
Temos também de ter isto em conta quando pensarmos em intervenção.
No fundo, a conclusão a que cheguei no fim desta aula, foi que o trabalho sobre Educação Sexual que fiz no ano passado me ajudou em muito a perceber todas estas questões na prática. O contacto com a realidade ajuda-nos muito mais do que a leitura de textos. E, um papel importante teve o Enfermeiro Lima, do Centro de Saúde de Rio Tinto que nos ajudou muito com a sua perspectiva global.
Se queremos intervir, temos de pensar no colectivo e não no individual. Não é mudar a ética, mas questioná-la. Questionar a moral. Questionar, debater, justificar. Assim se irá construir o caminho para uma possível mudança no mundo!
(O professor falou também em vermos o filme Transamerica... Como adorei o filme e fui a única na aula a ter visto, acho muito bem. Acho que podemos comentar muito a partir daquele filme.)

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