quarta-feira, novembro 15, 2006

Transamerica!



Transamerica é um filme que relata a história de Bree que, pouco tempo antes de uma operação cirúrgica de mudança de sexo, é obrigada a enfrentar o passado. Na verdade, Bree nasceu Stanley. No entanto, a partir de determinada altura, decidiu parar de lutar contra si mesma e aceitar a sua identidade sexual. Esta decisão obrigou-a a um corte total com todo o seu passado, incluindo a família.
É só quando recebe uma chamada de Toby, nascido de uma relação sexual que teve com uma colega de faculdade (ainda Stanley), que se vê obrigada a voltar atrás e a enfrentar uma nova situação com a qual tem dificuldade em lidar.
Todo o filme se baseia na relação que se estabelece entre estes dois seres humanos, com um percurso de vida complicado, cheio de escolhas e situações traumáticas. Sem saber a verdadeira identidade de Bree, seu pai, Toby e Bree iniciam uma viagem até Los Angeles durante a qual se conhecem e descobrem os segredos de cada um.
Para mim, a história deste filme fala-nos sobre os seres humanos, da sua incapacidade de lidar com a diferença, mas sobretudo de erros que se cometem. O principal erro de Bree, na minha opinião, não foi ter omitido que era uma transsexual, mas sim não ter revelado a sua verdadeira identidade ao seu próprio filho. Assim, a situação que se gerou perto do fim do filme, quando Toby tenta seduzi-la e fica chocado ao descobrir a verdade, foi ainda mais grave pois ambos tinham passado dias e momentos importantes juntos, criando um ambiente de grande confiança e cumplicidade.
De facto, é-me muito fácil perceber a posição de Bree. Nem a sua própria família a aceitava. De facto, o discurso que predomina hoje em dia é o da aceitação. Afirmar que somos como somos, que cada um merece expressar-se e que somos livres, é muito diferente de aplicar essa filosofia no nosso dia-a-dia. O que levará a que uma pessoa como Bree tenha de se afastar da própria família, do seu próprio filho? Não me consigo pôr no papel dela, mas percebo. Na nossa sociedade já é difícil aceitarmo-nos como somos, mas dar o passo que demonstra isso aos outros é um acto de enorme coragem. No caso de Bree, a fachada de se mostrar homem, de se fazer passar por alguém que não é, acabou. É uma mulher, sente-se mulher. Podemos nós criticar isso? Dizer que é uma “anormal”, como Toby lhe disse num acesso de raiva?
Mais, e falando um pouco para além do filme… É triste reconhecer que muitos dos que julgam e criticam estas pessoas, são da minha idade. Gente que diz mal da “mentalidade retrógrada” dos pais mas que na prática são iguais ou piores do que eles.
Ser “gay” está na moda, ser “bi” é sexy. Costumam dizer que “cão que ladra não morde”, mas até que ponto isto pode ser tolerado? Até que ponto a diferença, qualquer que ela seja, pode ser rebaixada de determinada forma? O que é aceitável e quem o define? No fundo, será que alguém é “normal”?
Bree demonstrou coragem porque lutou contra tudo e todos para se afirmar como era. Não digo que não tenha cometido erros, todos nós cometemos. Mas gostava que todos fossemos tão capazes de nos assumirmos como ela.
Toby aceitou-a. Aceitou-a por quem era, tornou-se seu amigo. Mas não lhe perdoou a mentira. No fundo, é o que custa mais a aceitar, é a mentira. Tanto como para quem mente como para quem sofre a mentira. Por isso, repito: cada um é como é, e devemos ser aceites por quem somos. O que importa, afinal de contas, não é que nos sintamos bem connosco próprios?

sábado, novembro 11, 2006

Projectos de Educação para os Media

Ok ok, já percebemos que é suposto as pessoas aprenderem não só como trabalhar com os media mas também que construam uma base crítica e questionem os mesmos. Mas fiquei parva. Pôr pessoas de um bairro social a participar numa ópera... Essa foi mesmo de génio, visto ser um projecto da Casa da Música (que nem sequer estava construída ainda). Devo admitir que eu própria nunca pensaria numa hipótese dessas... Só foi um bocado mau terem quebrado o contacto com eles nos últimos tempos... Mas é preciso pensar noutros projectos para os voltar a integrar. E para isso, estamos cá nós!
Momento alto da aula: apresentação de um projecto de educação para os media e nenhum dos presentes sabia pôr em ordem a visualização através do projector. Salvou-nos a Professora Isabel, não fosse ela uma dessas pessoas com dedos mágicos!
E já agora... Estágios em Serralves, Palácio de Cristal ou Parque da Cidade... Também são possíveis?
(ah, e mais uma vez, a visita lá ao tal Instituto de Som e Imagem (ou lá como se chama) foi adiada... Ficamos a esperar, ansiosos, pela tal saída da faculdade.)
P.S.: Os trabalhos deviam ir de vento em popa, mas... Está difícil endireitar o caminho este ano.

segunda-feira, novembro 06, 2006

O aborto é blhéc?!

Em jeito de sátira...
Pois é, o tema da aula nem sequer foi o aborto, apesar de termos comentado o debate (se é que se pode chamar àquilo um debate) do Prós e Contras de Domingo. Mas, aproveitando os media (tema da aula) como forma de me expressar, criticando a informação que recebemos e nos é disponibilizada (na televisão, mas neste caso, através da internet), este sketch dos Gato Fedorento é mesmo demais! E é demais, porquê? Porque, de facto, retrata a palhaçada que é o nosso país. Ora, toda a gente sabe, e quem não sabe devia saber, que o referendo é sobre a despenalização do aborto. Se uma mulher deve ou não ter possibilidade de escolha, ou se deverá ser penalizada pelas escolhas que faz. Não é agora discutir se somos ou não a favor do aborto. (acho que pela vida somos todos pela vida, não? que votemos sim ou não)
E pronto, é esta a imagem que os media nos passam do que deveria ser um programa sério e visto por todos. E depois admiram-se do estado do nosso país...
O ABORTO É BOM E QUEM NUNCA FEZ QUE NÃO CRITIQUE!

quarta-feira, outubro 18, 2006

A questão da ética...

Ontem demos na aula que a ética não são regras pré-determinadas, mas sim um conjunto de ideias orientadoras. Ou seja, enquanto que a moral nos diz o que devemos ou não fazer, a ética permite que interroguemos essas mesmas ideias de certo/errado, bem/mal, pondo em causa e confrontando diferentes perspectivas. Ao optar por um determinado estilo de vida, justificando as minhas opções, estou a orientar-me por princípios éticos.
E porque falamos nós de ética? Porque, devido ao seu papel no desenvolvimento pessoal e social do indivíduo, é importante que os licenciados em Ciências da Educação saibam trabalhar e construir projectos que tenham em conta esta perspectiva da ética e tudo o que ela envolve.
De facto, como Henri Atlan afirma, a ética revela-se logo a um primeiro nível, universal, mais fisiológico. Ou seja, a procura do prazer e a fuga à dor. Já um segundo nível direcciona-se mais para quando procuramos pensar e fazer experiências sobre as nossas reacções físicas/corporais. Ou seja, deslocamos as sensações de prazer/dor no tempo e no espaço. Um terceiro nível caracteriza-se pela tomada de consciência das necessidades dos outros, do prazer e dor dos outros. (Pelo menos, foi isto que eu percebi da aula)
O debate que a ética promove permite debater tábus e lutar contra o individualismo actualmente presente na nossa sociedade. Assim, como poderemos nós perspectivar a intervenção educativa ética e promotora/desencadeadora de desenvolvimento pessoal e social? Enquanto mediadores da intervenção educativa cabe-nos a nós promover o debate, de forma a que as pessoas sejam capazes de assumir posições, não criticando os outros, mas sim percebendo, compreendendo a sua posição, as justificações que nos são dadas para determinados modos de vida. Este debate promove o desenvolvimento pessoal e social, na medida em que através de uma participação regular, os indivíduos sentem-se actores na construção de um raciocínio.
Mas será que a ética é universal? Discutimos muito isto na aula... Se a ética é um conjunto de ideias reguladoras, podemos afirmar que somos contra as violações, mas quando vemos nas notícias constantes casos de violação em África, será que podemos afirmar "oh, mas é em áfrica"? De facto, os princípios éticos pretendem ser universais, a questão da prática é que varia. Não quer isto dizer que a ética é relativa ou subjectiva, como afirma Peter Singer (2000), pois podemos muitas vezes não concordar com determinada ideia, mas fazemos parte da sociedade que a desenvolve e a põe em prática. Portanto, o importante é que a ética nos dá uma ideia do que podemos fazer, enquanto que a moral nos limita os caminhos a percorrer. Parece confuso, principalmente para passar para escrito, mas até faz sentido.
Portanto, ao construimos projectos de intervenção temos de ter em conta todos estes aspectos. Temos de conhecer a realidade, os sujeitos, procurar os seus interesses, actuar não só a nível dos sujeitos mas também do mundo que os rodeia, tentar agir a um nível mais geral, de forma a que o nosso projecto tenha algum efeito, mude alguma coisa e não seja apenas mais um programa em que os indivíduos participam e depois esquecem. Como o exemplo da reciclagem que a professora Isabel Menezes nos deu na reunião... Podemos estar nas aulas a explicar a reciclagem e a ensinar aos alunos as atitudes mais correctas para o ambiente, mas depois eles chegam ao bar e ninguém faz reciclagem. Dentro da própria escola, aquilo que lhes dizem ser o melhor não é cumprido.
Temos também de ter isto em conta quando pensarmos em intervenção.
No fundo, a conclusão a que cheguei no fim desta aula, foi que o trabalho sobre Educação Sexual que fiz no ano passado me ajudou em muito a perceber todas estas questões na prática. O contacto com a realidade ajuda-nos muito mais do que a leitura de textos. E, um papel importante teve o Enfermeiro Lima, do Centro de Saúde de Rio Tinto que nos ajudou muito com a sua perspectiva global.
Se queremos intervir, temos de pensar no colectivo e não no individual. Não é mudar a ética, mas questioná-la. Questionar a moral. Questionar, debater, justificar. Assim se irá construir o caminho para uma possível mudança no mundo!
(O professor falou também em vermos o filme Transamerica... Como adorei o filme e fui a única na aula a ter visto, acho muito bem. Acho que podemos comentar muito a partir daquele filme.)

terça-feira, outubro 03, 2006

Trabalhos!!! Já trabalhos!!!

Enquanto os restantes alunos das outras áreas andam em aulas, nós andamos em pesquisas. Pois é, os temas já foram distribuídos, os grupos formados, e cabe-nos agora andar à caça de material sobre projectos de intervenção comunitária sobre Educação Ambiental e Participação Cívica (que calhou ao nosso grupo). Começamos logo a ver nas Câmaras (da Maia, do Porto e de Gaia, pois são onde vivemos :x) e encontramos imensa coisa! Mas quando tivemos a reunião com a prof Isabel Menezes, percebemos logo que não ia ser canja... O material das câmaras que tinhamos arranjado não tinham aquilo que precisávamos. Até tinhamos os objectivos dos projectos e tudo, mas faltava a avaliação, uma descrição mais explícita do projecto em si. A professora lá acabou por nos dar uma ajuda, disponibilizando-nos material que considerava relevante. Mas em inglês. Lá vamos nós ter de fazer um esforçozito e pôr de lado a preguiça. Que remédio! (Mas ainda não tive coragem de pegar nos textos em inglês... Comecei pelo livro em português, ai não!). Agora, é ler aquilo tudo e ver se realmente interessa ou se nem por isso... E depois, reunir as características semelhantes dos projectos e ver quais as diferenças, ver o que resulta do que não resulta e expôr os resultados à turma. Coisa pouca, coisa pouca...

terça-feira, setembro 26, 2006

Mas ora diga lá... E porquê?

Pois é... Foi-nos pedido que construíssemos um portfolio, algo pessoal que relatasse o nosso percurso ao longo do ano na Área 3 (Desenvolvimento Pessoal e Social) do 3º ano de Ciências da Educação.
Primeiro de tudo, a apresentação. Chamo-me Sofia e ando em Ciências da Educação porque não entrei em Psicologia. Não fazia ideia do que me estava a meter, só foi minha segunda opção porque era o curso que permitia transferência de forma mais fácil. Ao longo do primeiro ano neste curso senti-me um pouco perdida e sem rumo, sem saber ao certo o que andava a fazer. Não é que no 2º ano me tenha ilucidado muito, mas certas disciplinas abriram-me a mente para algumas questões que eu achei interessantíssimas e agora, no 3º ano, já estou mais despreocupada e procuro apenas aprender o máximo possível e tentar interessar-me pelas matérias que me poderão ajudar num futuro bastante próximo. De facto, durante este tempo todo continuo a afirmar que este curso é um excelente curso como formação pessoal e profissional, mas não para gente que saia do 12º ano. Seria um complemento fundamental a muitos cursos, pelo desenvolvimento pessoal e social que proporciona. Vamos a ver, quando acabar o curso, como vou aproveitar os conhecimentos que obtive da melhor forma.
Mas pronto, como eu estava a dizer, no 3º ano temos a opção de escolher uma área. Indecisa entre seguir um ramo mais sociológico ou mais direccionado para o indivíduo, optei pelo segundo. Não que não goste de sociologia, porque adoro e é a área que mais me tem despertado interesse neste curso, mas porque depois de uma conversa com os docentes Tiago Neves e Sofia Marques Silva, cheguei à conclusão que muito provavelmente não teria estofo para trabalhar nos campos dificílimos com que me depararia.
Por isso, vim parar a esta área, de Desenvolvimento Pessoal e Social, na esperança de vir a encontrar algo que me cativasse para um futuro emprego. Aproveitei o facto de no ano passado ter feito um trabalho em Educação Sexual, que é um dos temas desta área. Assim, aplicaria alguns dos conhecimentos que já obtive e descobriria mais alguns, principalmente a nível de comunicação e media, educação ambiental e participação cívica e gestão da carreira vocacional (com esta última talvez me ajudasse a mim própria!).
E pronto, cá estão os motivos da escolha da área, o que me levou até este ponto na vida. O que se seguirá? Não percam os próximos episódios (ou posts), porque eu também não (até porque conta para a avaliação, entenda-se)!