
No dia 1 de Março de 1007, a FPCE-UP acolheu o seminário “Procurando uma Cidadania Sexual e de Género: Acção Política e Reflexões em torno das Discriminações Sexuais”. Apesar de organizado no âmbito da Pós-Graduação em Psicologia Política, a entrada era livre a todos os que quisessem participar.
O programa consistiu em:
- Percursos e estratégias do Movimento Gay: o colectivo e o sujeito no espaço da cidadania;
- A discriminação social como enfoque de reflexões teóricas e de estudos em Portugal: factos, modos de violência, projecto do Observatório da Homofobia;
- Movimento associativo, acção directa e empoderamento pessoal: questionar as identidades e agir para a redução da violência e da discriminação social;
- O género como base da acção colectiva: que entendimentos e que caminhos de acção?
Como moderador, contávamos com Nuno Santos Carneiro, Psicólogo, e com Sérgio Vitorino, jornalista e activista gay, como orador.
Após um grande atraso por parte de Sérgio Vitorino (que vinha de Lisboa), este começou então a sua exposição.
Começou por nos fornecer uma breve contextualização histórica, sobre a luta dos homossexuais pela igualdade de direitos. Um dos aspectos que referiu foi de que as realidades são desiguais e que cada país, cada região avança a seu ritmo. De facto, Portugal optou pelo modelo dos EUA, de luta através de manifestações em que os homossexuais se defendem enquanto pessoas iguais a tantas outras. O que não quer dizer que seja adequado à nossa realidade.
O período fascista que vivemos marcou muito a história dos movimentos gays, pois a homossexualidade era considerada crime. De facto, grande parte dos homossexuais que viveram naquela época continuam a ter medo de se manifestar, preferindo viver escondidos e em paz, do que se mostrar e viver com as consequências.
Muitos dos movimentos também surgiram através dos movimentos de luta feminista, que potenciaram a luta pela diferença, pelos direitos de todos. Mas a homossexualidade continua a ser vista muito ligada a doenças e a drogas, provocando descriminação por parte das outras pessoas.
De facto, a diferença geracional entre grupos homossexuais é marcante. Enquanto que os que viveram no período fascista se preferem esconder, os homossexuais mais recentes, mais jovens, formam vários grupos. No entanto, a maioria pensa que os movimentos que se formam têm bastante gente e que não precisam do seu contributo, o que não é verdade. E uma outra falha é o facto de quando foram formados, os transsexuais nem sequer terem sido integrados nestes movimentos, considerando que estão ainda em pior situação que os homossexuais, pois nem reconhecidos pela lei são. É, por isso, necessária a contribuição por parte de todos para que os movimentos cresçam e possam dar frutos.
Nos últimos anos, com o maior reconhecimento dos homossexuais e a sua aquisição de direitos, as demonstrações de homofobia também foram aumentando.
Na verdade, defende que as mulheres são vítimas de violência não só por motivos homofóbicos mas também por questões de género. A homossexualidade invadiu o mercado, sendo comercializada e permitindo uma maior visibilidade. No entanto, isto também pode ser negativo porque se baseia no consumo e não nas experiências de vida das pessoas.
Tivemos de sair mais cedo com muita pena da nossa parte mas, no fundo, a ideia com que ficamos foi que ainda há muito a fazer neste campo e que a mudança de mentalidade das pessoas é urgente. É necessário mudar a lei, actuar junto das pessoas. Tendo em conta o nosso campo de trabalho, considero importante fazer algo em relação a este assunto. Procurar ouvir as pessoas, saber o que querem de facto e aquilo que é possível fazer por elas, com elas. Sempre a trabalhar com elas, procurar incluir as pessoas nestes movimentos associativos que tentam procurar soluções para a sua comunidade.
Assim, e tendo em conta a nossa área mais especificamente, através da educação sexual nas escolas e noutros campos também pode ser uma das formas para conseguir alcançar esses mesmos objectivos junto de outras comunidades, para prevenir a homofobia, entre outros.
Para mais informações sobre um do movimentos que procura dar destaque a estas problemáticas, do qual Sérgio Vitorino faz parte, consultar http://www.panterasrosa.com/
http://panterasrosa.blogspot.com/

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